"Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar" - Paul Ricoeur, Da Interpretação.

26 de jan de 2012

Questão de Tempo





O sono não repousa no leito, e daí a vontade de dormir para sempre. A crueldade, nesse caso, reside na falta de opção.
Com isso, a leveza parece que não combina mais com a vida. De um lado, tenta-se a suavidade e a sanidade, enquanto do outro lado, há uma pressão de tirar o fôlego. Tudo por conta de uma busca insana por algo que nem ao menos sobrevive à morte, mas que, por ironia, é questão de sobrevivência imediata.
O jeito é subornar o tempo. Comprar dele o direito de andar em ritmo mais lento, de poder curar as dores, de dormir sem ansiedade, de poder amar sem ele (o tempo), de recuperar as forças no seu tempo e não no dele... de só amar e se amar se assim quiser.
O jeito é ser tal qual poeta, fingidor.