"Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar" - Paul Ricoeur, Da Interpretação.

31 de mai de 2011

DESTINO DA INTIMIDADE























o deixou desfrutar seu mundo particular mais que se desnudou para ele nunca nós não há mais novidade, nem do avesso






















23 de mai de 2011

UM OLHAR VIVO



Tem lugares que te fazem feliz por serem exatamente como são, sem tirar nem por.







Esse olhar me deixa feliz, com ele sinto cheiro de vida.



18 de mai de 2011

ELOGIO DO ESQUECIMENTO

Bom é o esquecimento!
Senão como se afastaria o filho
Da mãe que o amamentou?
Que lhe deu a força dos membros
E o impede de experimentá-la.

Ou como deixaria o aluno
O professor que lhe deu o saber?
Quando o saber está dado
O aluno tem que se pôr a caminho.

Para a velha casa
Mudam-se os novos moradores.
Se os que a construíram ainda lá vivessem
A casa seria pequena demais.

O forno esquenta. Já não se sabe
Quem foi o oleiro. O plantador
Não reconhece o pão.

Como se levantaria pela manhã o homem
Sem o deslembrar da noite que desfaz o rastro?
Como se ergueria pela sétima vez
Aquele derrubado seis vezes
Para lavrar o chão pedroso, voar
O céu perigoso?

A fraqueza da memória
Dá força ao homem.


Brecht


17 de mai de 2011

11 de mai de 2011

MEU CARROSSEL

Vim pensando nas fases circulares da minha vida. Ali, caminhando ao som do mar. Ali, sentada percorrendo o caminho de volta. Tudo dançava em giro re-tomando o ponto de início. No retorno o revival de um sentido para a emoção, para a razão de ser, para re-acreditar, para re-conhecer. Era voltar do absurdo fato de querer fugir do que não é permitido fugir.

O trajeto de um círculo nunca é o mesmo. Não se faz mesmo. Por isso, as marcas que ficam são profundas, são obscuras, são traumáticas e, claro, esquecidas. Mas elas voltam se no giro olho esse azul-mar tão penetrante e me lembro, e re-lembro, e re-cordo, e trago de novo, como novo, esse querer impossível, e só por isto tenho a permissão para fazê-lo.

De todas as voltas dessa fase circular, mesmo sem crença, a última marca é a mais forte, a mais intensa, e por mais dolorida... adorável.

Vim pensando se podia agir, interferir, mas não o fiz pois não achei resposta.

Vim pensando se na volta, essa volta infinita, pois circular, também deixaria uma marca além de trazê-la. Vim pensando se ela ficou se ficou forte, se foi re-feita, re-tomada, re-vista, re-querida ou... re-jeitada, re-calcada. Compartilhada.

Vim pensando se só eu giro no meu mundo. Se só eu volto e re-volto.

Vim pensando e girando, como o carrossel do Rilke traduzido.