"Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar" - Paul Ricoeur, Da Interpretação.

25 de mar de 2011

O CORDÃO PARTIDO



O cordão partido pode ser novamente atado
Ele segura novamente, mas
Está roto.

Talvez nos encontremos de novo, mas
Ali onde você me deixou
Não me achará novamente.

Bertolt Brecht
(1898-1956)


22 de mar de 2011

Tradução em Revista nº9

Nova revista já está no ar.


http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/trad_em_revista.php?strSecao=input0


TRADUÇÃO E LITERATURA EM CORRESPONDÊNCIA

Mauricio Cardozo e Helena Martins (org.)


Reagindo com ênfases variadas à rica polissemia da palavra "correspondência", as reflexões aqui reunidas dão ocasião especial para pensar aquilo que, no jogo delicado e inexorável entre o corresponder e o transformar,(des)equilibra escritas e subjetividades. Surpreendem, além disso, no espaço concreto e íntimo do jogo epistolar entre autores e tradutores, pensamentos vibrantes e férteis sobre linguagem, tradução e literatura — reflexões cuja riqueza remete à própria dinâmica da relação que as instaura e que, no ritmo das cartas trocadas, as vai (des)construindo.


SUMÁRIO

VIVER DO LONGE: TRADUÇÃO COMO CORRESPONDÊNCIA

MARCIA SÁ CAVALCANTE SCHUBACK


VILÉM FLUSSER: FILOSOFIA DO EXÍLIO E LEITURA DE UM PAÍS CHAMADO BRASIL

MARCIO SELIGMANN-SILVA


VARIAÇÕES SOBRE UM ENCONTRO: JACQUES DERRIDA E ABDELKEBIR (SE)COR-RESPONDEM

MARIA ANGÉLICA DEÂNGELIA


CORRESPONDÊNCIA DE CHARLES BAUDELAIRE: PISTAS PARA SUA POÉTICA DO TRADUZIR

ÁLVARO FALEIROS


EDGAR ALLAN POE NA FRANÇA E NAS CARTAS DE STÉPHANE MALLARMÉ

SANDRA STROPARO


STÉPHANE MALLARMÉ - CARTAS SOBRE LITERATURA

SANDRA STROPARO (Tradução)


AS CORES DO BRANCO

CRISTINA MONTEIRO DE CASTRO PEREIRA



AUSÊNCIAS E PRESENÇAS PARA UMA CARTA DE STEPHEN MACKENNA

CAETANO WALDRIGUES GALINDO



CORREIO TEATRAL: FRAGMENTOS DE UM DISCURSO CRIATIVO

WALTER LIMA TORRES NETO



O LUGAR DO EPISTOLÁRIO NA LOBATIANA: EXERCÍCIO CONTINUADO DE TEORIZAÇÃO ECONCEPÇÃO DE PROJETOS SOBRE TRADUÇÃO E LITERATURA

ELIZAMARI R. BECKER



SOBRE UMA CARTA DE HENRY MILLER

HELENA MARTINS E MARCIA SÁ CAVALCANTE SCHUBACK



DE AMOR E TRADUÇÃO: GUIMARÃES ROSA NAS RELAÇÕES COM SEUS TRADUTORES

MAURICIO MENDONÇA CARDOZO E MARIA PAULA FROTA

Cartola - O Mundo é um Moinho (1977)



"De cada amor tu herdarás só o cinismo"

AMOR E MEDO

Quando eu te vejo e me desvio cauto

Da luz de fogo que te cerca, ó bela,

Contigo dizes, suspirando amores:

“Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!”

Como te enganas! meu amor, é chama

Que se alimenta no voraz segredo,

E se te fujo é que te adoro louco...

És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores

A luz da aurora me enternece os seios,

E ao vento fresco do cair cias tardes,

Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,

Do colmo o fumo caprichoso ondeia,

Soprando um dia tornaria incêndio

A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,

Cedendo ao raio que a tormenta envia:

Diz: — que seria da plantinha humilde,

Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco

Torrara a planta qual queimara o galho

E a pobre nunca reviver pudera.

Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,

A mão tremente no calor das tuas,

Amarrotado o teu vestido branco,

Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,

Sobre o veludo reclinada a meio,

Olhos cerrados na volúpia doce,

Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,

Na face as rosas virginais do pejo,

Trêmula a fala, a protestar baixinho...

Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,

Das vestes alvas, do candor das asas?

Tu te queimaras, a pisar descalça,

Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!

Ébrio e sedento na fugaz vertigem,

Vil, machucara com meu dedo impuro

As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos

Toda a inocência que teu lábio encerra,

E tu serias no lascivo abraço,

Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,

Olhos pisados — como um vão lamento,

Tu perguntaras: que é da minha coroa?...

Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!

Bem vês: traí-me no fatal segredo.

Se de ti fujo é que te adoro e muito!

És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...


Casemiro de Abreu





6 de mar de 2011

SINAL DE VIDA

Queria falar sobre algo, mas a vida está tão tomada pela prática (ou pelas práticas) que sinto um vazio no quesito reflexão.

Isso em certa medida é bom, porque espanta a solidão, a lembrança da perda, a tristeza pela não compreensão, a falta daquela pessoa tão importante e outras coisinhas que vira e mexe assombram o coração da gente.

Se eu tivesse que definir meus sentimentos, nesse momento, o faria através da ação: agir, reagir, corrigir, produzir, impedir, mentir... sumir. Tudo, menos refletir e sentir.

Não sinto absolutamente nada, a não ser o vazio... anestésico? E isso nem é sentir, é sintoma.

Voilà... estou com sintomas de saudade do passado e, também e principalmente, do futuro... o presente,não, ele tá ausente.