"Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar" - Paul Ricoeur, Da Interpretação.

12 de nov de 2011

CAUSO MEU


O rabisco na quina de um bloco de rascunho, lá pelos idos de 2005, diz que sentia um quê de sei lá o quê que encantava os olho e fazia sentir no estômago o borboletear esquisito dessas coisa esquisita que a gente sente bem de vez em quando... eu bem mais de vez em vez em quando.

Rolô tempo ziguezagueando nesses rumo que a gente não sabe se tá indo ou voltando, e as borboleta se agitando naquele mesmo lugar, só que daí cheias de cor, decor, de corda toda enozada no que agora tem corpo.







14 de set de 2011

LEI DE NEWTON

Ação:

Relaxar, libertar-se, adubar-se, esticar os galhos e se deixar crescer, espaçar-se ... ser;


Reação:

Poda.






Só para quando valer a pena

"Eu sei o que é, sei o que digo, sei por que digo e prevejo, normalmente, as consequências daquilo que digo. Mas não é por um desejo gratuito de provocar as pessoas ou as instituições. Pode ser que se sintam provocadas, mas aí o problema já é delas. A pergunta que faço é por que é que eu me hei de calar quando acontece alguma coisa que mereceria um comentário mais ou menos ácido ou mais ou menos violento. Se andássemos por aí a dizer exatamente o que pensamos - quando valesse a pena -, teríamos outra forma de viver. Estamos numa apatia que parece que se tornou congênita e sinto-me obrigado a dizer o que penso sobre aquilo que parece importante."

José Saramago 2008

(epígrafe em: AGUILERA, Fernando Gómez (Org.) (2010). As palavras de Saramago. São Paulo: Cia das Letras.)



22 de jul de 2011

UM TIPO QUALQUER

Camille Claudel



Não vim de um ninho formal, regular. Não fui a menininha do papai, aliás, com ele pouco convivi.

Vim fazendo curvas. Saltando etapas, estendendo outras, não experimentando muitas... (aquelas das menininhas).

Tenho um pavio fantasma: ele apaga, ele acende, sem regularidade, na instabilidade da chama.

Minha doçura encobre minha arrogância, minha sensibilidade a desvela e eleva meu egoísmo.

Um paradoxo exposto.

Não sou linear, nunca serei.

A única coisa estável é o meu amor.




7 de jul de 2011

3 de jul de 2011

Colunas - NOTÍCIAS - O amor bom é facinho

Colunas - NOTÍCIAS - O amor bom é facinho



cheguei aos 4.0 e cada vez mais reflito sobre isso. Não é um discussão nada nova, mas agora penso nisso no auge do meu poder de autotranquilizar e do amor próprio... e faz muito mais sentido :)

31 de mai de 2011

DESTINO DA INTIMIDADE























o deixou desfrutar seu mundo particular mais que se desnudou para ele nunca nós não há mais novidade, nem do avesso






















23 de mai de 2011

UM OLHAR VIVO



Tem lugares que te fazem feliz por serem exatamente como são, sem tirar nem por.







Esse olhar me deixa feliz, com ele sinto cheiro de vida.



18 de mai de 2011

ELOGIO DO ESQUECIMENTO

Bom é o esquecimento!
Senão como se afastaria o filho
Da mãe que o amamentou?
Que lhe deu a força dos membros
E o impede de experimentá-la.

Ou como deixaria o aluno
O professor que lhe deu o saber?
Quando o saber está dado
O aluno tem que se pôr a caminho.

Para a velha casa
Mudam-se os novos moradores.
Se os que a construíram ainda lá vivessem
A casa seria pequena demais.

O forno esquenta. Já não se sabe
Quem foi o oleiro. O plantador
Não reconhece o pão.

Como se levantaria pela manhã o homem
Sem o deslembrar da noite que desfaz o rastro?
Como se ergueria pela sétima vez
Aquele derrubado seis vezes
Para lavrar o chão pedroso, voar
O céu perigoso?

A fraqueza da memória
Dá força ao homem.


Brecht


17 de mai de 2011

11 de mai de 2011

MEU CARROSSEL

Vim pensando nas fases circulares da minha vida. Ali, caminhando ao som do mar. Ali, sentada percorrendo o caminho de volta. Tudo dançava em giro re-tomando o ponto de início. No retorno o revival de um sentido para a emoção, para a razão de ser, para re-acreditar, para re-conhecer. Era voltar do absurdo fato de querer fugir do que não é permitido fugir.

O trajeto de um círculo nunca é o mesmo. Não se faz mesmo. Por isso, as marcas que ficam são profundas, são obscuras, são traumáticas e, claro, esquecidas. Mas elas voltam se no giro olho esse azul-mar tão penetrante e me lembro, e re-lembro, e re-cordo, e trago de novo, como novo, esse querer impossível, e só por isto tenho a permissão para fazê-lo.

De todas as voltas dessa fase circular, mesmo sem crença, a última marca é a mais forte, a mais intensa, e por mais dolorida... adorável.

Vim pensando se podia agir, interferir, mas não o fiz pois não achei resposta.

Vim pensando se na volta, essa volta infinita, pois circular, também deixaria uma marca além de trazê-la. Vim pensando se ela ficou se ficou forte, se foi re-feita, re-tomada, re-vista, re-querida ou... re-jeitada, re-calcada. Compartilhada.

Vim pensando se só eu giro no meu mundo. Se só eu volto e re-volto.

Vim pensando e girando, como o carrossel do Rilke traduzido.

21 de abr de 2011

Você continua mascando vidro

se deleitando com a rotina

e amando como quem morde cacos

Eu continuo perdoando e jogando fora os cascos

Não ter te cumprimentado tem muito a ver com você não ter se despedido

Apesar da saudade, não te sigo

Você fazia muito mais falta quando estava comigo


(Estrela Leminski)



PODE PARECER BOBAGEM...

... mas mudar o externo, mudar a imagem, ajuda a mudar o interno, resgatar a memória e transformar as lembranças :)








20 de abr de 2011

Imagem: O Estranho Mundo de Jack (animação Tim Burton)



Sim, tenho o mundo inteiro aos meus pés, mas estou descalço, e mesmo assim não consigo senti-lo. Vai ver que é porque tudo está mudando de lugar, vai ver que é porque durmo e acordo aqui sonhando em voltar. Ou quem sabe foi o tempo que me deixou na órbita, e agora sou um homem intemporal.
Desse modo, talvez não sinta o mundo porque dele me distancio, porque o estranho, porque ele é o estranho, porque dele revelei o lado estranho. Contudo, no distanciamento me aproximo, com um novo olhar, um olhar mais fundo. Assim, o não sentir se deve ao fato dos meus pés nunca dantes terem tocado esse... novo... mundo, ou de terem esquecido de tê-lo feito.





6 de abr de 2011

O FIM



E ela foi saindo de fininho, tentando que fosse alegrinha, jogando as migalhas pra baixo do tapete.

E ele ficou lá, olhando pro espelho, jogando as migalhas no vento.







25 de mar de 2011

O CORDÃO PARTIDO



O cordão partido pode ser novamente atado
Ele segura novamente, mas
Está roto.

Talvez nos encontremos de novo, mas
Ali onde você me deixou
Não me achará novamente.

Bertolt Brecht
(1898-1956)


22 de mar de 2011

Tradução em Revista nº9

Nova revista já está no ar.


http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/trad_em_revista.php?strSecao=input0


TRADUÇÃO E LITERATURA EM CORRESPONDÊNCIA

Mauricio Cardozo e Helena Martins (org.)


Reagindo com ênfases variadas à rica polissemia da palavra "correspondência", as reflexões aqui reunidas dão ocasião especial para pensar aquilo que, no jogo delicado e inexorável entre o corresponder e o transformar,(des)equilibra escritas e subjetividades. Surpreendem, além disso, no espaço concreto e íntimo do jogo epistolar entre autores e tradutores, pensamentos vibrantes e férteis sobre linguagem, tradução e literatura — reflexões cuja riqueza remete à própria dinâmica da relação que as instaura e que, no ritmo das cartas trocadas, as vai (des)construindo.


SUMÁRIO

VIVER DO LONGE: TRADUÇÃO COMO CORRESPONDÊNCIA

MARCIA SÁ CAVALCANTE SCHUBACK


VILÉM FLUSSER: FILOSOFIA DO EXÍLIO E LEITURA DE UM PAÍS CHAMADO BRASIL

MARCIO SELIGMANN-SILVA


VARIAÇÕES SOBRE UM ENCONTRO: JACQUES DERRIDA E ABDELKEBIR (SE)COR-RESPONDEM

MARIA ANGÉLICA DEÂNGELIA


CORRESPONDÊNCIA DE CHARLES BAUDELAIRE: PISTAS PARA SUA POÉTICA DO TRADUZIR

ÁLVARO FALEIROS


EDGAR ALLAN POE NA FRANÇA E NAS CARTAS DE STÉPHANE MALLARMÉ

SANDRA STROPARO


STÉPHANE MALLARMÉ - CARTAS SOBRE LITERATURA

SANDRA STROPARO (Tradução)


AS CORES DO BRANCO

CRISTINA MONTEIRO DE CASTRO PEREIRA



AUSÊNCIAS E PRESENÇAS PARA UMA CARTA DE STEPHEN MACKENNA

CAETANO WALDRIGUES GALINDO



CORREIO TEATRAL: FRAGMENTOS DE UM DISCURSO CRIATIVO

WALTER LIMA TORRES NETO



O LUGAR DO EPISTOLÁRIO NA LOBATIANA: EXERCÍCIO CONTINUADO DE TEORIZAÇÃO ECONCEPÇÃO DE PROJETOS SOBRE TRADUÇÃO E LITERATURA

ELIZAMARI R. BECKER



SOBRE UMA CARTA DE HENRY MILLER

HELENA MARTINS E MARCIA SÁ CAVALCANTE SCHUBACK



DE AMOR E TRADUÇÃO: GUIMARÃES ROSA NAS RELAÇÕES COM SEUS TRADUTORES

MAURICIO MENDONÇA CARDOZO E MARIA PAULA FROTA

Cartola - O Mundo é um Moinho (1977)



"De cada amor tu herdarás só o cinismo"

AMOR E MEDO

Quando eu te vejo e me desvio cauto

Da luz de fogo que te cerca, ó bela,

Contigo dizes, suspirando amores:

“Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!”

Como te enganas! meu amor, é chama

Que se alimenta no voraz segredo,

E se te fujo é que te adoro louco...

És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores

A luz da aurora me enternece os seios,

E ao vento fresco do cair cias tardes,

Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,

Do colmo o fumo caprichoso ondeia,

Soprando um dia tornaria incêndio

A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,

Cedendo ao raio que a tormenta envia:

Diz: — que seria da plantinha humilde,

Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco

Torrara a planta qual queimara o galho

E a pobre nunca reviver pudera.

Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,

A mão tremente no calor das tuas,

Amarrotado o teu vestido branco,

Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,

Sobre o veludo reclinada a meio,

Olhos cerrados na volúpia doce,

Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,

Na face as rosas virginais do pejo,

Trêmula a fala, a protestar baixinho...

Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,

Das vestes alvas, do candor das asas?

Tu te queimaras, a pisar descalça,

Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!

Ébrio e sedento na fugaz vertigem,

Vil, machucara com meu dedo impuro

As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos

Toda a inocência que teu lábio encerra,

E tu serias no lascivo abraço,

Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,

Olhos pisados — como um vão lamento,

Tu perguntaras: que é da minha coroa?...

Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!

Bem vês: traí-me no fatal segredo.

Se de ti fujo é que te adoro e muito!

És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...


Casemiro de Abreu





6 de mar de 2011

SINAL DE VIDA

Queria falar sobre algo, mas a vida está tão tomada pela prática (ou pelas práticas) que sinto um vazio no quesito reflexão.

Isso em certa medida é bom, porque espanta a solidão, a lembrança da perda, a tristeza pela não compreensão, a falta daquela pessoa tão importante e outras coisinhas que vira e mexe assombram o coração da gente.

Se eu tivesse que definir meus sentimentos, nesse momento, o faria através da ação: agir, reagir, corrigir, produzir, impedir, mentir... sumir. Tudo, menos refletir e sentir.

Não sinto absolutamente nada, a não ser o vazio... anestésico? E isso nem é sentir, é sintoma.

Voilà... estou com sintomas de saudade do passado e, também e principalmente, do futuro... o presente,não, ele tá ausente.