"Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar" - Paul Ricoeur, Da Interpretação.

24 de jan de 2010

Tradução como um ato de amor

Há diferença entre ter um namorado(a) e ter um amor. No senso comum, talvez, não se faça uma distinção.

Ter um namorado é relativamente fácil, guardada a devida complexidade de toda relação. Ter um amor é mais trabalhoso; ter um amor envolve uma relação que pressupõe um trabalho. Ter um amor é um ato de hospitalidade no sentido da exigência do enfrentamento que esse tipo de relação pede. O amor carece da continuidade que o trabalho proporciona.

Quando alguém se dispõe a ter um amor sabe a restrição que é ter "apenas" um namorado(a). Um namorado você pode escolher por determinadas conveniências: ter a mesma profissão, ter um bom papo, te permite sentir livre (em vários sentidos), fazer parte de determinado círculo de amigos que te interessem...etc. Já um amor parte de um acontecimento. Ele sempre traz imprevistos, e você resiste desistir no primeiro obstáculo. De um namoro você pode pular fora no primeiro incômodo, a qualquer momento, porque você se sente à vontade para isso... parte de você não ficará lá...você está todo de um lado só, do teu próprio.

Ter um namorado pode ser sem graça para quem gosta de ter um amor, se já tiver experimentado um, porque o beijo é diferente e tudo o mais tem sabor de técnica. Para quem privilegia o amor, normalmente, caracteriza-se assim.

Mas não quero aqui discutir um "valor" de se ter um namoro ou um amor, muito menos fazer julgamento, no sentido de busca de verdade, à quem opta por um tipo de relação ou outro. Até porque, para aprofundar essa questão, eu precisaria desenvolver todas as questões que deixei planando nesse curtíssimo texto e, também, porque esse espaço não é exatamente para isso...

... apenas penso que um ato de tradução, nesse sentido, é, também, um ato de amor.

3 de jan de 2010

HOMENAGEM

Meu maior respeito por esse povo que é a tradução da resistência, da sobrevida, da esperança.

Estrangeiros dentro da sua própria casa e ainda assim hospitaleiros, pois a luta era pela mistura e não pela exclusão. Não era uma luta por um só espaço, mas por construir espaços onde diálogos acontecessem...sem apagamento de nehuma das cores, de nenhum dos sonhos, de nenhum dos valores. Espaço onde a violência fosse traduzida por convivência. Exemplo de tradução.